Estava narrando um acontecimento meio cômico de hoje aqui em Berlin pros meus amigos e depois de escrever umas 5 linhas eu pensei que poderia escrevê-lo aqui também...por quê não? Quando eu voltar pro Brasil vou sentir saudades disso mesmo...
Eu moro em uma área privilegiada de Berlim, muitos reclamam que é um pouco distante...uns 40 minutos do centro...mas eu acho que tem muita natureza, a vizinhança é muito calma e é um lugar que inspira paz...típico interior né? :)
Nesse cenário, eu preciso pegar um ônibus pra conseguir chegar em qualquer metrô de Berlin ( Aqui em Berlin pode-se chegar em, praticamente, todos os cantos com metro ou trem...isso é sensacional, mas eu guardo isso pra outro post) e nesse ônibus existe uma passageira que já é uma figura ilustre, sempre presente no dia-a-dia dos estudantes de sexo masculino que moram na mesma república que eu.
Ela é uma figura muito simpática, nos seus 40 anos, óculos, cabelo preso bem mal-tratado e um jeito de maluca inimaginável. Eu achava que todos os malucos moravam em Copacabana, ou pelo menos todos que simpatizavam comigo, mas foi doce ilusão.
Meu primeiro encontro, eu era novato na cidade, não falava praticamente nada da língua e fui abordado no ônibus enquanto conversa com mais outras duas amigas. Acreditando que pudesse ajudar aquela pobre alma, me dispus a conversar. Recebi mais de 4 ou 5 diferentes bilhetes com escritas irreconhecivel e diferentes numeros de telefones. Pelo meus alemães das ruas que tinha aprendido até então, só pude entender que ela era psicóloga se eu precisasse de um, que ela poderia me arrumar mulheres se eu estivesse solteiro, que ela recolhia roupas na igreja próxima e que fazia encontro com menino da minha idade. Implorou pra eu desse meus dados mas por sorte o ponto chegou e eu saí correndo.
Fui saber mais tarde que ela faz isso com todos jovens que aparecem no ônibus e ela pode chegar a ponto de seguí-los ou dormir na porta da casa deles esperando que eles saiam alguma hora (talvez sejam boatos)...
Eu sei que hoje tive um encontro com a mencionada e vou postar como narrei para meus amigos :)
Espero rir quando ler esse post daqui há um ano:
"Hoje fiz uma manobra sensacional e despistei a velha maluca que soh faltou bater palmas pela minha sagacidade!!!
Entrei no 181 pra ir pra lankwitz kirche lavar o negocio da cama, antes de mostrar a identidade ja olhei que tava cheio e me veio logo a imagem da maluca...parei na escada e procurei por ela ate nossos olhares se encontrarem...ela estavam na ultima cadeira do busao e seu super radar para garotos sexys estrangeiros apitou e ela logo se aticou e se levantou com o olhar fixo.
Eu subi as escadas numa tentativa de despista-la, andei ateh o fim e fiquei esperando na escada, olhei pra tras e la vinha ela com aquele sorriso psicotico. Numa tentativa desesperada de botar os fones de ouvidos, fiquei olhando pra ela de canto de olho ateh ela chegar a uma distante suficiente pra me abordar. Foi quando o onibus parou e a porta abriu, eu desci as escadas subitamente e numa gingada de corpo estilo ronaldinho gaucho, fingi que ia sair do busao, virei pro lado onde havia duas pessoas sentadas naquele banco de 4 onde um olha pro outro...mas estavam sentadas alternadas. Com a maior agilidade do mundo, emendei a gingada num ligeiro pulo e esgueirada entre as duas pessoas sentadas me movendo para a extremidade mais distante onde me via resguardado na lateral e na frontal, com excessao da diagonal...
Nesse momento a musica ja estava rolando no meu ouvido e pude notar a cara de espanto misturada com admiracao qnd ela nao sentou na diagonal e simplesmente "SUMIU"!
Fiquei procurando ela pelos reflexos das janelas ou usando meu itouch de espelho e dps ainda procurei mais pq tinha medo dela me seguir na lankwitz kirche, nenhum sinal.
Por ultimo, esperei a porta apitar pra fechar na lankwitz kirche e, em mais uma manobra ousada me pus para fora do onibus sem chances de alguem me seguir.
Fiquei olhando no onibus pra ver se achava ela pra dar um tchauzinho, mas nao achei....sera que ela eh um espirito?!?"
Lankwitz é um lugar bucólico, onde a selva de pedras das grandes cidades ainda não chegou, o que a torna única na imensa Berlin.
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Luca Toni